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Terceira idade é foco de residenciais de alto padrão

Por Direto da Redação 25/11/2021 às 19:46:34

São Paulo tem concentrado os empreendimentos voltados para este público, mas empresários do setor garantem que há demanda em todas as regiões O envelhecimento da população, aliado ao desejo de uma vida confortável na terceira idade, tem estimulado a abertura de residenciais de alto padrão para o público sênior. Nesses empreendimentos, o idoso desfruta de uma infraestrutura que garante plena atenção à saúde e convívio com outras pessoas, com todas as facilidades para seu bem-estar. Tudo mediante o pagamento de valores que podem superar de longe a barreira dos cinco dígitos por mês.

São Paulo tem sido o epicentro desse tipo de residencial, mas os empresários do setor garantem que o potencial é enorme em todo o país. A inexistência de uma entidade que reúna esse mercado impede dimensioná-lo com precisão, mas é certo que se trata de um segmento em franca expansão, que não atrai só pessoas enfermas.

Inaugurado em 2019 numa área verde de 110 mil metros quadrados junto ao Parque Estadual do Jaraguá, na Zona Oeste de São Paulo, o residencial Club Leger é um dos mais luxuosos do tipo e o primeiro do Grupo Leger, especializado em cuidados estéticos e medicina preventiva. A empresa investiu R$ 5 milhões no terreno — arrematado por “uma bagatela” em leilão, segundo o gerente-executivo do Residencial, Vinicius Neves — e na reforma do local, antiga chácara do casal Andréa e Giorgio Moroni e “point” do high society nos anos 1970 e 80. O projeto dos arquitetos Carlos Mauad e Andrea Dellamonica manteve traços como o azul do casarão principal e os azulejos portugueses do salão de festas.

O Club Leger oferece oito suítes individuais no casarão e mais 11 numa vila anexa, com mensalidades de R$ 6,9 mil a R$ 15 mil. Agora em dezembro, serão abertos 12 chalés, e há planos de uma nova vila com 18 suítes. “Chega um momento da vida em que a casa não é a melhor opção. As pessoas estão vivendo mais, e não existe mais a filha que se dedica a cuidar dos pais”, diz Neves.

Abrir outras unidades em São Paulo, no Rio e na Região Sul é outra ideia do grupo, que também estuda vender algumas unidades habitacionais, formando condomínios. “É grande a demanda por aquisição, os mais velhos gostam de ter a propriedade do imóvel”, afirma o gerente.

Inaugurado em fevereiro na Zona Norte paulistana, o Garden Ville São Paulo é o terceiro residencial do gênero pertencente a Marco Antônio Sachet — os outros são no Rio Grande do Sul. Sachet investiu R$ 3 milhões para abrir o Garden Ville, numa área verde de quatro mil metros quadrados. O local tem 49 quartos individuais e, a partir de janeiro, mais 30 camas em quartos coletivos. A moradia custa de R$ 7,5 mil a R$ 14 mil. Porto Alegre, Rio, Brasília e a capital paulista estão no radar para novas uni-dades. “O mercado de alto padrão tem muito a crescer. Montar uma estrutura para o idoso em casa sai mais caro. O residencial virou uma necessidade”, diz Sachet.

Também ele cogita vender parte dos imóveis. “Tenho que oferecer opções conforme as vontades do mercado, e há quem peça esse tipo de solução.” A maioria dos moradores desses locais vem da própria cidade, afirma ele. “A pessoa se muda, mas não quer ficar longe da família.”

A perspectiva de expansão do mercado levou a rede Terça da Serra a abrir franquias em 17 estados. São hoje 50 residenciais, com cerca de mil idosos, e mais 53 serão inaugurados até meados de 2022. O negócio surgiu em 2014 , em Jaguariúna (SP), pelas mãos da médica Joyce Caseiro, que, incomodada com a falta de instituições na região de Campinas para abrigar seu avô, investiu R$ 350 mil no negócio. Em menos de um ano, ela e o marido, Pedro Moraes, já haviam aberto mais três unidades. A sede atual, inaugurada em 2019, fica numa área nobre de Campinas, num casarão com dois mil metros quadrados.

A opção pelas franquias veio em 2017, quando a rede possuía seis unidades, as únicas próprias até hoje. O faturamento total deve atingir R$ 50 milhões este ano, calcula Moraes. Segundo ele, todos os residenciais têm o mesmo padrão estético e de serviços, mas a precificação é regional, com valores maiores nas capitais. Em razão disso e do tipo de acomodação, o morador paga de R$ 4 mil a R$ 15 mil.

Com pets e robô, ‘clubes’ atraem idosos saudáveis

Alguns locais destinam espaços dedicados aos familiares dos idosos, incluindo uma brinquedoteca

Residencial Club Leger, ao lado do Parque Jaraguá, um dos mais luxuosos.

Club Leger/Divulgação

Além dos serviços e das instalações tradicionais nesse tipo de empreendimento — como acompanhamento de médicos, enfermeiros e cuidadores, alimentação saudável, convivência, piscina, estimulação social, espaços para lazer e atividades físicas —, os residenciais de alto padrão para idosos oferecem mimos adicionais para atrair clientes.

No Club Leger, além da ampla área verde, um dos destaques é que o local aceita animais de estimação de pequeno porte. “Muitas pessoas veem o pet como alguém da família. Temos cinco moradores com cães, incluindo duas senhoras que vieram do Rio justamente porque podiam trazer seus bichos”, conta o gerente Vinicius Neves. O residencial também oferece espaços dedicados aos familiares que visitam os idosos, incluindo uma brinquedoteca.

Já a Terça da Serra investiu em tecnologia. Cada morador usa um relógio que não só fornece sua localização como monitora os sinais vitais e contém alarme de queda e fuga. Os relógios desenvolvidos no laboratório da rede ficam mais sensíveis à noite, prevenindo quedas.

Outro destaque é o Sr. Bartô, um robô criado durante a pandemia e disponível na sede da rede, em Campinas. Ele circula sozinho pela casa, interage com os hóspedes e serve para a comunicação com as famílias, por meio de chamadas de vídeo em sua tela.

Fonte: Economia

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